29 de maio de 2010

Esperança - Mario Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

21 de maio de 2010


O homem sem temeridade motiva-se a ir mais além. Enfrenta os desafios com confiança e não se preocupa com o pior. O medo pode ser constante, mas o impulso o leva adiante. Coragem é a confiança que o homem tem em momentos de temor ou situações difíceis, é o que faz viver lutando e enfrentando os problemas e as barreiras que colocam medo, é a força positiva para combater momentos tenebrosos da vida. Platão, correlaciona coragem, razão e dor. A Coragem é o uso da razão a despeito do prazer. Coragem é ser coerente com seus principios a despeito do prazer e da dor.

20 de maio de 2010

O quarto

É um quarto escuro. Não há janelas abertas, frestas, correntes de ar. Você está nesse quarto, preso. Está com fome, com sede, não há ninguém para tirá-lo daí. Você pode escutar o barulho dos carros lá fora, crianças brincando, o sorveteiro passando na rua. Você grita para que alguém lhe resgate mas ninguém te ouve, você tenta mais uma vez mas ninguém lhe corresponde. Você pensa em dormir para que o tempo passe mas a fome te impede.
Está começando a se cansar, está suado, com sede e tudo o que mais deseja é sair desse lugar, poder correr, tomar um sorvete, conversar com os amigos lá fora. Mas como sair desse lugar o qual mal se pode ver o que está a um palmo dos seus olhos?
Você decide dar alguns passos, cuidadosamente, pelo lugar. Toca uma parede, desliza a mão pela superfície e encontra um interruptor. Esperança invade seu coração, você tem a chance de apertá-lo, a luz se acender e finalmente poder encontrar uma saída desse quarto. Você tenta uma vez, tenta duas, mais uma... a luz deve estar queimada.
Continua a deslizar a mão pela parede e toca uma vela mas achar um fósforo para acendê-la será muito difícil no meio dessa escuridão. Você desiste.
Dando mais alguns passos, chuta algo, é uma lanterna, você tenta ligá-la mas está sem pilha.
Está cansado, talvez já esteja aí por uma hora e o pior: mal sabe como foi parar aí.
Mais alguns passos e você esbarra numa espécie de escada, pode sentir os degraus. Perigosamente, sobe na escada. Sobe um degrau, dois, três... a escada parece não ter mais fim. Finalmente chega no seu topo. Pode ver uma feixe de luz. Aproxima-se. Empurra o que está na sua frente e uma janela abre-se.
A luz invade o quarto, quase cega seus olhos. Mas há algo de estranho, você conhece esse lugar. Da onde? Quando esteve aqui? Por quanto tempo?
Esse quarto é sua própria vida, muitas vezes escura e vazia. São nesses momentos em que você precisa dos verdadeiros amigos para mostrarem-lhe uma saída, uma solução, uma ajuda para seus problemas.
Quantas pessoas são como a lanterna, a vela e o interruptor? São fontes de ajuda, de bem-estar e companherismo mas nem sempre possuem real interesse em ajudar-te, em estar contigo quando for necessário, até mesmo quando estiver cansado e não tiver nada para dizer mas apenas um abraço para confortar. Esses são os nossos colegas.
Mas, quantas pessoas são como a escada? Quantos deixam que subamos em suas costas para alcançarmos o topo? Quantos indicam uma direção? Quem isso faz, são os nossos amigos. Fontes de virtude, não precisamos pedir sua ajuda, eles sempre estarão no mesmo lugar, apontando para a mesma direção. A direção de ser feliz, de ser companheiro, de vencer junto, cair junto mas o mais importante: nunca desistir de encontrar a luz da vida, a saída para os problemas.

Pois toda janela abre e fecha-se quando queremos.

15 de maio de 2010

Deixo registrado aqui que:
SEU JORGE ONTEM EM AMERICANA FOI MUTXO BOOOM

o cara manda muito bem

14 de maio de 2010

Viagem ao centro de si

Para viajar, não é necessário fazer malas, comprar passagens, alugar um hotel e fazer um roteiro. Apesar de entusiasmarem qualquer um, não faz a viagem ser inesquecível. Para algo ser vivo em nossa mente, basta ser intenso e querer revivê-lo sempre. Admirando, em minha cama, a foto do primeiro homem a pisar na Lua, minha viagem iniciou-se.
Em segundos, estava no satélite natural da Terra, Selene parece um pedaço de queijo-desses bem furadinhos- e eu um grão de sal no mar do céu. A Terra assemelhava-se a uma bola tingida de verde e azul-mais azul do que verde- as misturas das cores eram indescritíveis e eu mal poderia acreditar nos meus olhos.
Meu lugar reservado na Lua era mais provilegiado do que qualquer cadeira número um para assistir ao show do meu ídolo preferido. Lá não havia barulho, estava em paz comigo mesma, finalmente, consegui estar sozinha por um tempo do qual não sabia a duração.
Queria explorar novas vistas, quem sabe as galáxias? Uma grande explosão de luminosidade chamou-me a atenção e desviou-me o olhar da Terra. Havia centenas, milhares, bilhões, infinitos pontos a cintilarem no céu, parecia sorrirem para mim.
Peguei carona em uma estrela cadente e parei em Marte. Por lá, estava tudo vazio e tranquilo. Gritei. Ninguém correspondeu-me. Fui para Júpter e sentei-me, estava fascinada. Desse planeta pude ver Saturno e seus anéis, a minha maior paixão.
Quando estava na Terra, sentia-me como eles: sempre em órbita, seguindo uma mesma direção, misturada a outros satélites, a outras pessoas, tentava seguir um rumo diferente, mas era atraída de volta por motivos que imagino. Talvez tenha passado-se uma hora, três horas ou um dia inteiro, mas eu continuava a observar Saturno com sua beleza.
Mais ao longe, bem distante, estava Plutão quieto e sozinho. De repente, tudo começou a tremer: as estrelas caíram sobre minha cabeça, os planetas foram sumindo um a um, escorreguei e flutuei pelo espaço. Quando tudo acalmou-se, estava deitada em minha cama com a fotografia em mãos.
Foi uma viagem inesquecível e hoje entendendo o propósito dela, pude refletir quem sou. Não me pareço com os satélites de Saturno, pois fujo da órbita, mas sei onde estou. Na verdade, sou Plutão. Às vezes, sinto-me sozinha, mas gosto de que pensem ser eu simples e sem importância. Assim, posso crescer e seguir minha vida como quero, sem grandes alardes e repercussões, também posso errar sem receber grandes acusassões.
Espero poder revivê-la, não para saber como sou-pois isso descobri-mas para saber porque sou.