20 de maio de 2010

O quarto

É um quarto escuro. Não há janelas abertas, frestas, correntes de ar. Você está nesse quarto, preso. Está com fome, com sede, não há ninguém para tirá-lo daí. Você pode escutar o barulho dos carros lá fora, crianças brincando, o sorveteiro passando na rua. Você grita para que alguém lhe resgate mas ninguém te ouve, você tenta mais uma vez mas ninguém lhe corresponde. Você pensa em dormir para que o tempo passe mas a fome te impede.
Está começando a se cansar, está suado, com sede e tudo o que mais deseja é sair desse lugar, poder correr, tomar um sorvete, conversar com os amigos lá fora. Mas como sair desse lugar o qual mal se pode ver o que está a um palmo dos seus olhos?
Você decide dar alguns passos, cuidadosamente, pelo lugar. Toca uma parede, desliza a mão pela superfície e encontra um interruptor. Esperança invade seu coração, você tem a chance de apertá-lo, a luz se acender e finalmente poder encontrar uma saída desse quarto. Você tenta uma vez, tenta duas, mais uma... a luz deve estar queimada.
Continua a deslizar a mão pela parede e toca uma vela mas achar um fósforo para acendê-la será muito difícil no meio dessa escuridão. Você desiste.
Dando mais alguns passos, chuta algo, é uma lanterna, você tenta ligá-la mas está sem pilha.
Está cansado, talvez já esteja aí por uma hora e o pior: mal sabe como foi parar aí.
Mais alguns passos e você esbarra numa espécie de escada, pode sentir os degraus. Perigosamente, sobe na escada. Sobe um degrau, dois, três... a escada parece não ter mais fim. Finalmente chega no seu topo. Pode ver uma feixe de luz. Aproxima-se. Empurra o que está na sua frente e uma janela abre-se.
A luz invade o quarto, quase cega seus olhos. Mas há algo de estranho, você conhece esse lugar. Da onde? Quando esteve aqui? Por quanto tempo?
Esse quarto é sua própria vida, muitas vezes escura e vazia. São nesses momentos em que você precisa dos verdadeiros amigos para mostrarem-lhe uma saída, uma solução, uma ajuda para seus problemas.
Quantas pessoas são como a lanterna, a vela e o interruptor? São fontes de ajuda, de bem-estar e companherismo mas nem sempre possuem real interesse em ajudar-te, em estar contigo quando for necessário, até mesmo quando estiver cansado e não tiver nada para dizer mas apenas um abraço para confortar. Esses são os nossos colegas.
Mas, quantas pessoas são como a escada? Quantos deixam que subamos em suas costas para alcançarmos o topo? Quantos indicam uma direção? Quem isso faz, são os nossos amigos. Fontes de virtude, não precisamos pedir sua ajuda, eles sempre estarão no mesmo lugar, apontando para a mesma direção. A direção de ser feliz, de ser companheiro, de vencer junto, cair junto mas o mais importante: nunca desistir de encontrar a luz da vida, a saída para os problemas.

Pois toda janela abre e fecha-se quando queremos.

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