14 de maio de 2010

Viagem ao centro de si

Para viajar, não é necessário fazer malas, comprar passagens, alugar um hotel e fazer um roteiro. Apesar de entusiasmarem qualquer um, não faz a viagem ser inesquecível. Para algo ser vivo em nossa mente, basta ser intenso e querer revivê-lo sempre. Admirando, em minha cama, a foto do primeiro homem a pisar na Lua, minha viagem iniciou-se.
Em segundos, estava no satélite natural da Terra, Selene parece um pedaço de queijo-desses bem furadinhos- e eu um grão de sal no mar do céu. A Terra assemelhava-se a uma bola tingida de verde e azul-mais azul do que verde- as misturas das cores eram indescritíveis e eu mal poderia acreditar nos meus olhos.
Meu lugar reservado na Lua era mais provilegiado do que qualquer cadeira número um para assistir ao show do meu ídolo preferido. Lá não havia barulho, estava em paz comigo mesma, finalmente, consegui estar sozinha por um tempo do qual não sabia a duração.
Queria explorar novas vistas, quem sabe as galáxias? Uma grande explosão de luminosidade chamou-me a atenção e desviou-me o olhar da Terra. Havia centenas, milhares, bilhões, infinitos pontos a cintilarem no céu, parecia sorrirem para mim.
Peguei carona em uma estrela cadente e parei em Marte. Por lá, estava tudo vazio e tranquilo. Gritei. Ninguém correspondeu-me. Fui para Júpter e sentei-me, estava fascinada. Desse planeta pude ver Saturno e seus anéis, a minha maior paixão.
Quando estava na Terra, sentia-me como eles: sempre em órbita, seguindo uma mesma direção, misturada a outros satélites, a outras pessoas, tentava seguir um rumo diferente, mas era atraída de volta por motivos que imagino. Talvez tenha passado-se uma hora, três horas ou um dia inteiro, mas eu continuava a observar Saturno com sua beleza.
Mais ao longe, bem distante, estava Plutão quieto e sozinho. De repente, tudo começou a tremer: as estrelas caíram sobre minha cabeça, os planetas foram sumindo um a um, escorreguei e flutuei pelo espaço. Quando tudo acalmou-se, estava deitada em minha cama com a fotografia em mãos.
Foi uma viagem inesquecível e hoje entendendo o propósito dela, pude refletir quem sou. Não me pareço com os satélites de Saturno, pois fujo da órbita, mas sei onde estou. Na verdade, sou Plutão. Às vezes, sinto-me sozinha, mas gosto de que pensem ser eu simples e sem importância. Assim, posso crescer e seguir minha vida como quero, sem grandes alardes e repercussões, também posso errar sem receber grandes acusassões.
Espero poder revivê-la, não para saber como sou-pois isso descobri-mas para saber porque sou.

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