5 de julho de 2010

Sobre a Copa

Consegui o texto! Por sorte minha mãe deixou gravando o Fantástico ontem mas o texto também já caiu no site da Globo.
Foi o Tadeu Schmidt quem leu, como não teve créditos ao autor acho que foi ele mesmo que escreveu.
Vamos lá

A pior coisa depois da eliminação é o sentimento de culpa. Para os jogadores, é compreensível. Mesmo que não tenham sido culpados, eles estavam lá.
E o que acontece nesses campos se multiplica infinitamente. Ele perdeu o pênalti mais importante da história do país. Ele errou o chute mais importante da história do continente. Ele se atrapalhou, perdeu a cabeça, ficou marcado.
Todos se dedicaram ao máximo, com as melhores intenções. Queriam tanto vencer. Deram o melhor que tinham. Mas vão ficar marcados pelo pior.
E os torcedores nessa história? Quantos não estão se sentindo um pouco culpados também? "Se eu não tivesse mudado de lugar. Se eu tivesse vestido minha camisa da sorte. Se eu não tivesse parado de gritar".
Sintam-se todos absolvidos. Vocês não tinham o que fazer. Talvez o pensamento positivo tenha algum efeito, mas seria facilmente anulado pelo pensamento positivo da torcida adversária.
Porque fulano é pé-frio, beltrano é pé-quente. Bobagem. Somente a soma de todos, no estádio, gritando, poderia inflamar o time e ter algum efeito. Mesmo assim, sem garantia de sucesso. Mesmo assim, ainda dependeria dos jogadores.
O indivíduo, o torcedor é refém do jogo de futebol. Talvez, por isso, torcida seja tão parecida com desespero.
Não adianta colocar a cueca da sorte, ficar na posição em que saiu o primeiro gol, rezar. Você acha que um pai iria torcer por um filho para ver o outro perder?
O jogo vai ser decidido dentro de campo e a gente não pode fazer nada para mudar o resultado. Assim como os próprios protagonistas do futebol só vão ganhar ou perder pelo que fizerem naqueles minutos, entre o pontapé inicial e o apito final.
Fora do campo, eles podem apenas se preparar para aqueles minutos. Tirando isso, são tão torcedores quanto nós.
O time não perdeu porque foi mais simpático ou menos simpático. Não perdeu porque deu mais entrevista ou menos entrevista. Não perdeu porque foi marrento ou humilde, discreto ou falastrão. Não perdeu porque foi sério ou brincalhão. Assim como não ganharia por nenhum desses motivos.
Perdeu porque perdeu. Dentro de campo, o adversário foi mais eficiente, deu mais sorte, seja o que for. Mas a derrota foi dentro de campo. Não levamos um gol da vida e outro gol da Holanda. Levamos dois gols da Holanda.
Os gols da vida são contados para o jogo da vida. Os gols do futebol são contados para o futebol. E que ninguém venha misturar as coisas.

2 comentários:

Daniela Torres disse...

Fe seu blog tá lindo... primeira vez que passo aqui e fiquei horas lendo os seus posts...
e eu amei esse texto também, é um reflexão muito simples dessa copa... porque não perdemos porque não somos mais os melhores, mas porque outros tbm lutaram muito em busca do mesmo titulo.

adorei tudo e ja te adicionei no meu "preferidos"...
passa la no meu blog se vc quiser.

beijoss
saudades

Conversa de Botequim disse...

lindo post Fer! Parabéns!