29 de setembro de 2010

O Cronista é um escritor crônico.

O dia iniciou em uma manhã deslumbrante. Meu despertador era o canto dos pássaros que pousavam em minha janela. Uma brisa calma e fria invadia meu quarto, os primeiros raios de Sol aqueciam-o tornando o cômodo aconchegante. Estava na hora de começar um novo dia de tarefas.
Tateei o criado-mudo em busca dos meus óculos de grau, levantei, calcei meu chinelo o qual encontrava-se na beira da cama. Fui guiado para a cozinha pelo cheiro de pão de queijo feito na hora, minha mãe já havia saído mas, como sempre, havia deixado a mesa pronta com o café da manhã.
Tomei meu café e fui para a sala de estar. Quando liguei a televisão o repórter do jornal das 7 horas dizia:
- Hoje é o Dia Internacional do Meio Ambiente. Não se esqueça de trocar os sapatos sociais por botinas e o terno por macacão. Dirija-se para o centro da cidade e plante sua árvore, o meio ambiente agradecerá sua colaboração. No momento são mais de duas mil mudas plantadas!
Como pude esquecer-me desse evento? Finalmente o mundo estava tomando atitudes ecológicas e eu ainda estava de pijamas! Corri para meu quarto e troquei de roupa, imediatamente. Peguei minha bicicleta e fui para o centro.
No percurso notei que, assim como eu, todos estavam guiando uma bicicleta, não havia carros na rua, não havia fumaça, nem metrô, nem ônibus atrasado e a sintonia do trânsito estava perfeita. Parecia não haver poluição no ar, todos estavam felizes e eu não podia conter o sorriso em meu rosto.
Logo que avistei um canteiro para plantar minha mudinha, parei. Plantei-a com todo amor e carinho, todos faziam o mesmo. Uns regavam-na e outros cantarolavam de alegria. Tudo corria bem por ali, não havia buzinas, pedintes ou tumulto, apenas o ideal de ter um mundo sustentável reinava.
Eu sempre fui o tipo de pessoa a qual acredita que quando algo vai bem, algo de ruim está prestes a acontecer e isso se solidificou. Quando menos esperava, minha plantinha teve um súbito crescimento, cresceu um metro, dois metros, três metros, trinta metros e numa atitude inesperada capturou-me em seus "braços" e arremessou-me para longe.
Nesse instante, acordei ofegante no sofá da minha casa com o despertador do meu celular tocando. O dia estava absurdamente quente, minha asma estava atacada e, para piorar, não conseguia encontrar meu remédio. O cheiro de borracha queimada guiou-me para o banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto e vesti terno e gravata. Estava atrasado para o trabalho. Não tive tempo de assistir ao telejornal para ver qual estrada não deveria tomar para chegar mais rápido ao escritório. Fui de carro.

Por mim, Fernanda Brito

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