14 de janeiro de 2012

Seu Antônio

Antônio era morador de São Paulo, capital. Via o vai e vem dos carros diariamente, trombava com executivos, diretores, professores, jovens, mulheres e homens de todos os tipos, ricos e pobres.
Sentava-se com seus jornais todos os dias em locais diferentes: praças, metrôs, centro da cidade, lanchonetes, bares, mercados e passava ali horas, às vezes cruzava seus olhos com o olhar de algumas pessoas, outras preferia manter a cabeça baixa e acená-la quando fosse conveniente.
Ele conhecia o cheiro de muitos pratos gastronômicos, embora não soubesse o gosto. Seu paladar era simples. Não gostava ou tinha luxos Há tanto estava na cidade que parecia integrar a paisagem local, os grafites, os desenhos das calçadas, a música, o ar...
Fora ambicioso, mas acabou cansado e sentado, mãos estendidas, pernas cruzadas. Incomodava muitos com sua maneira de levar a vida, hora pós hora. Apreciava a natureza dos homens e a de Deus, adivinhava pensamentos pelo olhar. Descansava quando queria, trabalhava quando podia.
Quando queria, agradecia pela vida. Quando não, apenas levava-a.
Antônio era herança.
Era perspectiva perdida.
Morador das ruas.

Fernanda Brito

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