9 de julho de 2012

188ª Citação: "...não pode teorizar o amor. Você precisa vivê-lo"

"O seu livro tem alguns defeitos. Quando você fala sobre o amor, não parece que sabe o que ele realmente é, parece que o teoriza. Fonsinho, você pode teorizar o efeito estufa... mas não pode teorizar o amor. Você precisa vivê-lo".

Domingo de véspera de feriado foi dia de ir ao cinema ver "E aí, comeu?". Retrata bem os papos que acontecem nas rodinhas masculinas em bares e a visão da mulher. Adorei. Esse diálogo é sensacional, uma das melhores partes do filme. Segue o trailer.

Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emilio Orciollo Netto fazem os três amigos botequeiros saídos da peça homônima de Marcelo Rubens Paiva. Eles se reúnem num bar no Rio de Janeiro para cantar vantagem, zoar uns aos outros e reclamar das mulheres; Mazzeo faz um arquiteto abandonado pela esposa (Tainá Müller), Palmeira é um jornalista que suspeita de uma traição da mulher (Dira Paes) e Orciollo é o playboy solteiro, aspirante a escritor, que sente falta de uma relação "de verdade".
Embora a publicidade do filme diga que E aí, Comeu? é a "primeira comédia verdadeira sobre o amor", a ideia de que os brutos também amam é mais velha que piada de salão (na verdade há um faroeste de 1953 com esse nome, de um tempo em que os brutos eram brutos de verdade).
Afinal de contas, que tipo de redenção é essa? E aí, Comeu? parte da premissa de que Mazzeo, Palmeira e Orciollo aprendem a ser mais gentis depois de sofrerem um baque emocional, mas a solução que o filme encontra pra eles não é um elogio da complexidade feminina, e sim um reforço de estereótipos de mulher-objeto. Um fica com a "girl next door" virginal e descomplicada (ela é a alma gêmea do personagem de Mazzeo porque não vai lhe causar dores de cabeça como a alma gêmea anterior), outro se acha na mulher "brother" (a personagem de Dira Paes fuma, bebe e sabe jogar pôquer como um homem) e o terceiro realiza o velho sonho de tirar a prostituta da zona - uma demonstração não de afeto, mas de vitória.
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Que a câmera de Joffily fique o tempo inteiro enquadrando o Cristo Redentor na paisagem só reforça o desejo de manter tudo como sempre-deveria-ser. E aí, Comeu? não se dispõe a reconhecer que ser homem é aceitar os mistérios das mulheres, está sim atrás de reafirmar o macho como senhor das fantasias e de botar, nestes tempos incertos, o homem de volta no seu "lugar de direito".

FONTE: http://omelete.uol.com.br/cinema/e-ai-comeu-critica/

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